23.8.11

Für mich gab's nur noch Fassbinder

Um início memorável: Irm Hermann no cemitério, junto à campa de Fassbinder. Rosa von Praunheim pergunta-lhe como se sente, ela responde que está muito feliz, que é Primavera, que as flores estão aí, que adora ver os gatinhos e aquela abelha. Depois disto, o documentário continuará, em tons de humor negro involuntário(?), sobre como chafurdar na vida alheia. Praunheim foi ter com vários colaboradores de Fassbinder, não se percebe bem com que objectivo. Fica claro que está obcecado com a sua sexualidade, pergunta a cada um se dormiu com ele, se era gay ou bi, sobre os seus amantes suicidas (Salem e Meier). Tudo à superfície, o que não espanta, porque Fassbinder não é homem, mas mito. Importa é ver estas pessoas 30 anos depois dos filmes em que actuaram para F., e as suas fisionomias ainda grotescas/belas (pena faltar Margit Carstensen), suportando-se e ao filme. Aqui, F. é o protagonista ausente de um melodrama que existe apenas no plano da memória, não como matéria física (melodrama metafísico), o que tem piada. Ao apresentar homens e mulheres a falar insistentemente sobre um passado e um homem que já não existem, com a familiaridade de quem viveu aquelas histórias com uma intensidade tal que assombrariam o resto das suas vidas, o filme é todo sobre (e com) fantasmas. Também um filme de terror.