O erro tinha sido ver La Mala Educación como uma espécie de thriller, um filme dirigido pelo suspense hitchcockiano anunciado nos acordes que acompanham o genérico. Caí numa esparrela semelhante àquela em que caem as personagens do filme, ao ser ludibriado pelas aparências. A matéria de que o filme se alimenta não é o suspense, mas a emoção. Porque, na verdade, este é um melodrama dos mais terríveis, daqueles em que não há salvação fuga. Uma espécie de continuação de La Ley del Deseo, ou um La Ley del Deseo estragado, em irreversível putrefacção. É que nesse tinha havido a possibilidade da transcendência, mas aqui é trevas. Melodrama noir em cores kitsch. Sem dúvida — e excluindo o último, que não vi —, o mais triste de Almodóvar. Tristeza que se disfarçou de filme. Filme travestido. Travesti feito filme.