Há filmes aos quais lhes fica bem serem queridos. Mas não desprezemos de imediato os filmes queridos: raras vezes um filme é apenas querido, sem ser mais nada, porque para um filme ser querido tem de ter uma base emocional que lhe permita sê-lo (nenhum filme é querido pela forma). Super 8 é um filme querido. Bastante querido. Assistimos aos miúdos a tentarem fazer cinema, e a serem engolidos por uma máquina de cinema muito maior do que eles. O alien é metáfora do cinema-espectáculo: pega na normalidade do filmezito da pequenada e amplia-a para além dos limites do razoável, o que convém, porque o razoável tem pouco que ver com cinema, e nada que ver com este tipo de cinema. No final, os miúdos acabam o filme todos contentes por terem sido engolidos pela máquina-cinema. De espectadores, a pseudo-criadores a participantes activos (não enquanto actores, mas enquanto indivíduos). Não viram apenas um filme cheio de seres de outro mundo, perigo, salvamentos incríveis de última hora — viveram-no. Posto isto, o único problema de Super 8, para mim, é que, precisamente devido a essa diferença fulcral entre nós-audiência e os miúdos-audiência, não podemos deixar de sair um pouco tristes da sala. Porque, afinal, eles viveram-no, e nós não. Super 8 é um filme sobre a vida que nunca será arte e, consequentemente, um bocado deprimente.