29.10.11

O realismo da imaginação

(continuação deste)
No início do filme seguinte de Manuel Guimarães, Vidas Sem Rumo, uma personagem um jornalista interpela-nos, encarando a câmara (a câmara somos nós). Abaixo a quarta parede. Após divagação breve, propõe-nos desenvolver uma notícia de três linhas que apareceu no jornal, estória que ele próprio presenciou. Diz ele, então: «É possível que, ao contá-lo, ponha nele alguma coisa da minha imaginação, traindo a realidade. Mas os homens, sempre que contam, deformam os factos ao sabor da sua fantasia.» Depois um flashback e o filme (que é vida) dentro do filme.