Em Umirayushchii lebed (The Dying Swan, Yevgeni Bauer, 1917) há uma personagem muda que, a certa altura, é interpelada pelo pai, e lhe responde por escrito - escrito que nos surge sob a forma de intertítulo. Ao tratar-se de um filme mudo, a distinção entre ela e o pai reside no facto de ela ser naturalmente muda e o pai emudecido (pelo filme) - o modo de comunicação (entre si, mediada por nós) é sempre, fale quem falar, através dos intertítulos. Uma personagem muda num filme mudo está no seu habitat, porque condenada a comunicar com gestos: o pai diz-lhe, a certa altura, que ela não precisaria de falar, porque tem a sorte de saber comunicar perfeitamente com o corpo, num claro elogio ao potencial de mostração da arte cinematográfica (Bauer não chegaria a conhecer o sonoro). Por isto, não admira que a cena mais memorável do filme seja esta em que - unicamente pelo movimento (que simula uma morte) - a mulher muda comunica o que de mais importante se diz durante todo o filme, e consequentemente se sentencia à imobilidade final [e isto já seria história para outro post]: