Trata-se de um vídeo que narrativiza a canção num estilo melodramático que me interessa particularmente. O interlúdio mostra o casal no exterior da casa - a mulher-vazia, o homem carregando o peso do mundo às costas - e, no interior, a loira visivelmente nervosa. Quando se abre a porta, todos sorriem sorrisos rasgados, em performatização de felicidade que contraria o que havíamos visto até então, e isto é algo que a canção não diz, quando dissociada do vídeo. Na letra da canção, a enunciadora dirige-se a um ex-namorado, dizendo que «ainda bem que, não obstante tudo o que se passou, hoje coexistimos em paz, cada um com respectivo novo cônjuge». O que o vídeo mostra é que, apesar do que canta, ela não se encontra realmente em paz. A partir do grande plano dos olhos dele (e o olhar da câmara, aí, é o olhar dela) inicia-se uma montagem paralela entre um tempo presente e um passado (trio VS par romântico) que se estenderá até ao fim, sendo que as imagens do tempo passado são claramente filtradas pela consciência do par (vemo-las pelos olhos deles, sendo que as cenas são escolhidas por associação a momentos do presente [o estender do prato, o dar a mão]), e as do presente por uma câmara objectiva. O que aprecio neste vídeo é que a letra da canção esconde um pranto que as imagens, mais ou menos discretamente, revelam: esta mulher escreve o que convém à harmonia, e não o que sente. Em quatro minutos, temos um falso happy ending de um melodrama hollywoodiano dos 50's (Sirk, Ray, Minnelli), com Gwen Stefani a fazer de heroína sacrificada que, no caminho, até muda a cor do cabelo de castanho escuro (a boa do noir) para loiro platinado (a má, porque vitimada pela vida).
Por fim, gostaria de dizer que a Gwen Stefani deveria ter sido actriz, porque o cinema mereceria a sua face.