25.3.12

Bruxas de Blair, ou a imagem-tapete sobre o horror

Balançoires (Noël Renard, 1928) conta a passagem de um casal por uma feira de diversões. Na primeira parte, tintada de amarelo, o casal diverte-se, mas a partir do momento em que um faquir lhes promete fazer ver a verdade por 6 tostões, o filme dobra e, tintado de azul, mostra o que de inquietadoramente estranho e perturbador circula na feira do mundo. Este fotograma reside na primeira parte, em que a superfície ainda branqueia o horror que lhe subjaz; apesar disso, o tempo tratou de deixar a sua marca na matéria do filme, no único segundo em que uma personagem encara a câmara. É o momento em que não vemos a personagem, mas a actriz (mulher), que, saída da montanha russa, nos olha em genuína alegria. Que resida no júbilo mais verdadeiro o momento mais terrível deste filme é coisa que não entendo. Título.