12.3.12

Limite

Depois de ver Portrait of Jennie lembrei O Estranho Caso de Angélica. Em ambos há um homem que ama uma morta, tendo esse amor por base - para além do desejo profundo de deixar de ser só // amar - uma representação 2D da amada (pintura no primeiro, fotografia no segundo). Em ambos os filmes, a imagem é triplamente não-tridimensional: a pintura/fotografia, os corpos das actrizes bidimensionalizados pelo filme e os corpos das personagens femininas que, não existindo [tenha cuidado com os itálicos!], são visíveis para estes homens que amam não-carne. Não que em cinema se ame, alguma vez, a carne. Porque tudo, menos uma tela de Friedrich, tem os seus limites.