Duas mulheres: uma de carne e uma de luz. Naturalmente, são a mesma, e ambas choram: a de carne chora lágrimas de luz, a de luz chora gotas de chuva. Mas é o mesmo choro, um choro de lágrimas que não são. A de carne olha para fora de campo, e a de luz olha para nós, mas o olhar da de luz é o olhar da de carne, e assim se explica que a de carne olhe para fora de campo, se é lá que residimos. Nesta imagem, ela olha para nós como quem busca o consolo da compaixão, reconhecendo, no entanto, simultaneamente a impossibilidade desse consolo. O sofrimento da personagem de filme é sempre solitário, mas enquanto as suas lágrimas forem de luz (e, em princípio, serão sempre, ou pelo menos até as personagens de filmes deixarem de ser fantasmas de luz) nenhuma consequência de maior advirá. Conforto.