9.10.11

Terror de ser visto

The Man Who Laughs é simultaneamente melodrama e filme de terror, mas só chega a filme de terror efectivo quando já o entendemos como melodrama, porque é quando o melodrama derrete que o terror escorre. Terrível não é uma imagem muito feia, mas o que de muito feio a imagem contém. Assim, um filme de Douglas Sirk é mais facilmente um filme de terror do que muitos filmes [vago] colocados, com a facilidade do que não pensa, nessa categoria. Lembre-se, a título de exemplo, o momento em que vemos, em campo, Jane Wyman aprisionada no ecrã da televisão (clique aqui!) típica imagem dos cabelos em pé, com fantasmas e tudo. Por tudo isto (que é pouco), esta imagem (clique aqui) é terrível somente por ser melodramática, porque este homem ri por não poder não rir (ler sinopse no wikipedia), porque presume ser amado por uma mulher somente por ela ser cega e não o ver, porque nesse riso encerado mora o receio de que um dia ela descubra que ama um homem mutilado, o que significaria — após o eventual repúdio um divórcio definitivo entre este homem e o mundo, porque perdera a única que não o via, e portanto o amava. Resumindo, convém ao bom melodrama ser também um bom filme de terror.