10.10.11

Bomba de justeza

Gosto mais do Woody Allen quando ele atribui corpo, fisicalidade à fantasia. Tenho cada vez menos paciência para filmes em que o fantástico se instala no quotidiano como representação possível de psiques, género delírio fantasista de vínculo fortemente realista (no sentido mais empenhado/sério/aborrecido do termo), embora por vezes funcione tão bem (recentemente, The Ward) há que admiti-lo. Mas é necessária coragem para confrontar o cepticismo reinante de modo tão despudorado como Woody faz aqui, com a segurança de quem não quer saber. Quase tão despudorado como quando a personagem de Jeff Daniels saltara da tela para acompanhar Mia Farrow numa viagem surreal e fantástica pelo mundo real e deprimido. Midnight in Paris é um The Purple Rose of Cairo um pouco mais cansado, mas suficientemente inteligente e simpático. A simpatia nunca é auto-suficiente, mas quando conjugada com inteligência, é bomba de justeza.